OBJECTOS PÓS-MODERNISTAS À VENDA NA FEIRA DA LADRA

[Postmodernist objects for sale in Flea Market]

 

Installation

Dia 1

Dia 2 e 3

Dia 4 e 5

Pos modernos
 

Banda Sonora Banda Sonora

 
 
 
 
 
 
In collaboration with Lara Portela

Tudo começou com o fascínio por objectos. As visitas à feira da ladra desencadearam as compras quase obsessivas. Observávamos os objectos que queríamos comprar mas que por uma ou por outra razão não comprávamos. Então começámos a oferecer descrições de objectos uma à outra e a alguns amigos. Foi só quando os tentámos desenhar, a estes presentes “memória”, para os reter, que reparámos o quanto estes objectos desenhados eram instáveis e volúveis. Facilmente se deixavam contaminar, primeiro pelo sujeito que os observava, depois por quem os descrevia, depois por quem os desenhava. O desvio em alguns resultava numa peça incapacitada para se tornar objecto novamente. É esta experiência que queremos partilhar com o público que compra objectos em segunda mão na feira da ladra e com os flâneur deste espaço: objectos em terceira mão, objectos que passaram à forma da liberdade espacial ilimitada, à desmaterialização, a uma reprodução quase infinita. Recordamos a fotomontagem de Harry Shunk sobre “Le saut dans le vide” de Yves Klein. Atravessámos o processo de nos inscrevermos nas finanças, de pedir uma licença de feirante e pagar o aluguer do espaço à Câmara Municipal de Lisboa, para chegar aqui. O nosso lugar de feirantes construiu-se na adaptação a estes objectos memória, na construção de um dispositivo da mesma família das caixas de bananas que todos os feirantes usam para transportar os objectos que vão vender. Um dispositivo quase nulo, com a estranheza dos implantes e com os objectos desmaterializados, da família das memórias. Objectos várias vezes em segunda mão: comprados na feira da ladra; pensados e descritos por aquilo que somos, entendidos por aquilo que é o outro, levados na memória ou num desenho. Neste texto não nos referimos ainda aos afectos, à natureza do afecto, à sua potencia. Esse foi o primeiro gesto para este trabalho.